CONTOS SOBRE

  • XVIII. Do teclado

    Na idade adulta, enquanto via os meus colegas de tempos passados deste ou daquele emprego, da escola, de qualquer curso rápido ou mesmo de trilha, por exemplo, que eu costumava fazer aos vinte e poucos, progredindo na vida a passos largos, conquistando prêmios e pequenas realizações cotidianas sem interesse algum, adquiri o gosto por permanecer…

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  • XVII. Apenas gente

    Quem matou, quando matou, onde matou? O menino, a menina, o cachorro. Faço sob chuva as perguntas de sempre, nenhum interesse especial neste caso. Um homem ou mulher, aparentemente munido de alguma coisa. Chuva na lama. Efeitos sonoros me alcançam, sem interesse, um ganido, um estampido, um estalido, um rugido, um canto, uma música antiga,…

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  • XVI. Gileade

    Acordo com um ruído monótono vindo lá de fora. Um som abafado que se aproxima e distancia, se torna música, volta ao discurso monótono. Vou até a sala e, pegando o celular, descubro que ainda são sete da manhã. Pior, sou lembrado de que é domingo, o único dia que tenho para dormir até mais…

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  • XV. Armadilha para tolos

    Primeiro o pé, depois o joelho, depois a cabeça. Andávamos pelo mundo acompanhados, quando o tempo era água e lama. Isso foi antes disso. Perguntas que se perpetuavam por séculos respondidas por uma parábola ou anedota lapidada por outros, artesãos de memórias, toscas mas memórias, em qualquer meio ou buraco, como as chamas. Andávamos com…

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  • XIV. Pesadelo do capitalismo tardio

    Sempre frequentei centros comerciais e shopping centers com fascínio, mas um deles parece ter penetrado o meu subconsciente com mais força que os outros – tanto pelo jogo entre claro e escuro dos seus ambientes fechados, repletos de letreiros e painéis neon, que dava aos meus pesadelos infantis um ar meio anos oitenta, quanto pela…

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  • XIII. A diarista

    A mudança foi mais longa do que esperávamos – não planejamos a coisa direito, saímos meio que fugidos do último apartamento, cujo aluguel havia se tornado abusivo, não contamos com o prazo da fornecedora de energia para ativar a unidade ou seja lá o que for, então ficamos quase uma semana no escuro, e nem…

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  • XII. Primeiro dump de sinopses de gênero misto

    A passagem de um meteoro faz as pessoas mudarem de ideia. Vinte anos depois, elas começam a perceber que estavam erradas—a outra ideia era melhor. Será tarde demais para voltar atrás novamente? Matt e Linda são um casal perfeito. Mas, por trás da aparência de normalidade, escondem um segredo terrível que só o seu vizinho…

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  • XI. Construa um ser

    preto, emaranhado, grosseiramente esférico, composto por linhas e/ou fibras de qualquer material, mas exclusivamente pretas, azuis ou cinzas, risque azuis, pretas ou cinzas. Risque cinzas. Cubra o ser emaranhado por trinta dias e mergulhe-o em um poço de piche, mas este ainda não é o ser emaranhado. Mergulhe o núcleo e leve o emaranhado de…

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  • X. O primeiro homem

    Seguro um cabo branco estriado, uma borracha verde-limão a meia-altura entre a extremidade inferior e o topo, numerosos feixes de cerdas enfiados em pequenos orifícios. Chama-se escova de dentes, mas não faz mal. Com movimentos ascendentes, descendentes e circulares, uso o instrumento para espalhar uma pasta mentolada pela superfície dos dentes, esfregando-os no processo, tomando…

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  • IX. Manifestação da Lua

    Agradeço, em primeiro lugar, por não ter conseguido comprar o carro elétrico com que sonhava. Tratava-se de um sonho errado, não tinha visto os dois lados da coisa, os combustíveis fósseis claramente não poderão ser substituídos tão cedo, além disso não há tomadas próximas às vagas rotativas de estacionamento do condomínio. As crianças estranhariam o…

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  • VIII. O futuro de Anitta

    Depois de anunciar a sua aposentadoria no Prêmio Multishow, ocasião que aproveitou para declarar sua intenção de se dedicar a um curso de filosofia da neurociência, Anitta entra em um carro blindado e parte em direção ao aeroporto. Ninguém a espera em parte alguma. Na sala de embarque, hesitante, um sujeito franzino a aborda com…

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  • VII. Teresa

    O computador não foi o Paulo quem me deu, e sim o ator que faz o Paulo. Recebi o modelo novo com a mesma alegria de quando recebi o antigo, não lembro se da mesma pessoa. A trama é tão convoluta que me perco—pode ter sido o Paulo mesmo, digo o ator que faz o…

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